"Não tínhamos condição de enterrar os mortos. Os corpos ficavam no pátio da aldeiaRed Tiger Gaming Sportingbet, porque eram muitas pessoas que morriam por dia. O meu avô falava que fugiram dos corpos, porque não tinham condições de vê-los."
Assim o ancião Paliã Zoró, de 80 anos, descreveu a situação de seu povo nos anos 1980, quando fazendeiros, madeireiros e garimpeiros levaram uma série de doenças para o território da etnia indígena zoró, no noroeste do Mato Grosso.
Vivendo em isolamento até poucos anos antes e sem defesa contra doenças como gripe, sarampo e tuberculose, o povo zoró pediu então ajuda externa para pressionar o governo a regularizar seu território como terra indígena.
Só assim, acreditavam, os forasteiros deixariam o território e as comunidades poderiam se recuperar.
Entre as pessoas que acudiram o grupo, havia uma advogada de São Paulo.
Viúva e mãe de cinco filhos, Eunice Paiva havia se formado em direito aos 47 anos e, desde então, vinha se dedicando à defesa de direitos indígenas.
O encontro seria um ponto de virada na história do povo zoró, que acabaria se recuperando depois de quase sofrer a extinção.
A vida de Eunice é narrada no filme Ainda Estou Aqui, no qual a advogada é interpretada pela atriz Fernanda Torres, que ganhou um Globo de Ouro por sua atuação neste papel.
O filme concorre ao Oscar 2025 nas categorias Melhor Filme, Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz.
O trabalho de Eunice em prol dos indígenas, porém, é pouco abordado na obra e "renderia outro filme inteiro", diz a antropóloga Betty Mindlin, professora visitante do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP).
Apesar da grande mortandade entre o povo zoró nos anos 1980, a demarcação do território enfrentava forte oposição.
Segundo documentos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) na época, já havia no território 79 invasores, uma estrada com 45 km de extensão e planos para a ocupação de 24 mil hectares por uma cooperativa de agricultores do Paraná.
Os ocupantes tinham o apoio de setores do governo federal e do governo de Mato Grosso, que havia distribuído títulos de terra dentro do território.
Não muito longe dali, em Rondônia e no norte de Mato Grosso, vastas regiões de floresta vinham sendo destruídas.
O movimento havia sido estimulado pela ditadura militar (1964-1985), que via a ocupação da Amazônia por não indígenas como um escudo contra interesses estrangeiros na região.
Quando Eunice Paiva chegou ao caso zoró, em 1986, fazia um ano que a ditadura havia acabado, mas o desmatamento seguia a pleno vapor.
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Ao final do documento, foi categórica: "Nada impede a demarcação da Área Indígena Zoró".
"Os direitos dos índios à posse de suas terras são direitos indisponíveis e que não podem ser negociados, inexistindo qualquer impugnação válida capaz de anular, restringir, extinguir ou modificar direitos da comunidade Zoró sobre a terra que é o seu 'habitat' natural", concluiu a advogada.
As posições de Eunice acabaram prevalecendo, e o governo declarou a área como terra indígena no ano seguinte.
"Quase fomos extintos, muitas doenças vieram com os brancos, e muitos de nossos parentes foram mortos por invasores", diz à BBC News Brasil Panderewup Zoró, cacique geral do povo.
"Isso só cessou com a demarcação e homologação do nosso território e, com certeza, a doutora Eunice Paiva contribuiu neste processo", prossegue.
"Se não tivéssemos tido a cooperação de parceiros para provar em documentos nossa existência e posse da terra desde a nossa ancestralidade, teríamos sido exterminados."
A indigenista Maria Inês Hargreaves, que trabalha junto a comunidades da região desde os anos 1980, endossa a importância de Eunice no processo.
"O laudo jurídico, a objetividade e a clareza dos argumentos foram fundamentais para a regularização desta terra indígena e outras em que ela colaborou", afirma a indigenista.
Hargreaves endossa a noção de que, "se a demarcação não tivesse acontecido naquele momento, talvez os zoró não estivessem vivos mais".
Ela conta que, até 1978, o povo zoró vivia isolado na floresta e somava várias centenas de integrantes.
Nos anos seguintes, porém, as doenças e os confrontos com os forasteiros provocaram um declínio vertiginoso.
No auge das epidemias, a população zoró chegou a ter só cerca de cem pessoas, segundo os documentos da época.
"A morte acontecia rapidinho", conta a anciã Ãjut Zoró, de 86 anos.
"O sintoma era tosse, vômito, febre e pneumonia. Esses sintomas duravam mais ou menos cinco dias, até chegar à morte. A gente fazia cova para guardar os mortos. Depois de enterrados, fazíamos fogo em cima da cova."
O relato de Ãjut, assim como a fala de Paliã Zoró na abertura desta reportagem, estão no livro Zoró: antes de ver o branco (2024), que compila entrevistas com membros do grupo.
Uma das autoras do livro, a servidora da Funai Lígia Neiva diz à BBC News Brasil que, após a demarcação, o povo começou a se recuperar, e os invasores foram expulsos.
"Eles deixaram um rastro de devastação, com grandes pastagens formadas, mas a garantia de poder estar na terra foi muito positiva", diz Neiva, que trabalha com o grupo desde 1988.
Ela afirma que o trabalho de Eunice foi essencial para a demarcação, embora poucos membros do povo zoró saibam da participação da advogada.
fortune tigerIsso porque Eunice fez o trabalho à distância analisando documentos e estudos antropológicos, mas não visitou o território devido a dificuldades logísticas.
Mas Neiva também destaca a atuação dos próprios indígenas nesse processo.
Pouco numerosos e com raros falantes de português, eles se aliaram a etnias vizinhas - incluindo inimigos históricos, como o povo suruí - para confrontar os invasores e chamar a atenção da opinião pública, ela diz.
"Foram para o embate, morreu gente, e aí a coisa tomou uma dimensão maior", diz Neiva.
Um dos momentos mais críticos da mobilização foi o assassinato do líder Yaminé Suruí, em 1988.
Na época com 70 anos, ele teve seu corpo esquartejado e queimado por dois pistoleiros dentro da Terra Indígena Zoró.
Jogo do Tigrinho | Jogo Oficial do Tigrinho | ZA9BETA dupla foi condenada por homicídio qualificado quase 30 anos depois, em 2017, mas jamais cumpriu pena por conta de um recurso ainda não julgado.
Ainda Estou Aqui aborda a trajetória de Eunice Paiva após seu marido, o engenheiro e ex-deputado federal Rubens Paiva, ser capturado e morto pela ditadura militar, em 1971.
A obra retrata a luta de Eunice para que o Estado brasileiro reconhecesse a morte do marido, uma vez que, oficialmente, ele estava apenas desaparecido.
A demanda só foi atendida em 1996, com a emissão da certidão de óbito de Rubens Paiva, que acaba de ser retificada para responsabilizar oficialmente o Estado brasileiro pela morte do parlamentar. Eunice morreu 22 anos depois, aos 89 anos.
Mas se a batalha de Eunice pelo reconhecimento da morte do marido a transformou em um ícone do movimento de resistência à ditadura, as ações dela em favor de indígenas ainda não receberam reconhecimento semelhante, diz a antropóloga Betty Mindlin à BBC News Brasil.
Em 7 de janeiro, Mindlin publicou no Jornal da USP um artigo sobre o trabalho de Eunice junto a povos indígenas.
A antropóloga relata no texto um dia em que, durante o governo de José Sarney, Mindlin, Eunice Paiva, o cacique Raoni Metuktire e os músicos Sting, Gilberto Gil e Rita Lee, entre outros apoiadores da causa indígena, foram ao Palácio do Planalto se reunir com o chefe de gabinete da Presidência da República.
O objetivo era cobrar a demarcação de 4,9 milhões de hectares de terra para o povo kayapó menkragnoti, no Pará. Mas, à entrada do edifício, o grupo foi barrado, conta Mindlin.
"Não admitimos a proibição e, unidos, empurramos a porta de vidro", ela lembra.
"Os funcionários de segurança, pasmos de ver grandes artistas solicitando com respeito a entrada, mas forçando o vidro, mais de forma simbólica que efetiva, acabaram cedendo, nos deixaram passar, cada vez uns poucos, por fim todos."
Segundo a antropóloga, o próprio Sarney acabou aceitando receber o grupo.
Mas eis que, a caminho do gabinete presidencial, Eunice titubeou, conta Mindlin, porque não queria apertar a mão de um político que se aliara aos militares na ditadura.
Por fim, Mindlin conta que Eunice foi "persuadida a nos acompanhar, jurista ponderada capaz de argumentar e comprovar o direito às terras reivindicadas pelos kayapó".
"Sarney prometeu, mas a demarcação demorou muito a ser realizada. Foi homologada pelo presidente Itamar Franco em 1993", ela diz.
Mindlin destaca no artigo o papel de Eunice no Programa Polonoroeste, nos anos 1980, quando se uniu a um grupo de antropólogos para avaliar o impacto da pavimentação da rodovia BR-364 (Cuiabá-Porto Velho) entre povos indígenas da região.
Foi nesse contexto que, segundo Mindlin, "Eunice fez pareceres magistrais para a causa indígena" - entre os quais o laudo defendendo a demarcação da terra zoró.
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Hoje, conforme mostram imagens de satélite, grande parte da floresta que sobrou no entorno da BR-364 fica nos territórios demarcados naquela época. Quase todo o resto virou terra agrícola ou pastagem.
Mindlin destaca outras contribuições de Eunice às causas indígena e ambiental: a publicação de livros e artigos, a participação nas ONGs Instituto de Antropologia e Meio Ambiente (IAMÁ), Fundação Mata Virgem (FMV) e Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP), e sua assessoria à Assembleia Nacional Constituinte (1988), quando influenciou na elaboração do capítulo que trata de povos indígenas.
O trabalho de Eunice, segundo Mindlin, beneficiou "no mínimo 300 povos indígenas, cada um com uma saga, um enredo, uma história de costumes, línguas, enfrentamentos e resistência".
A antropóloga diz à BBC News Brasil que Eunice foi pioneira neste campo: ao lado de juristas como Dalmo Dallari (1931-2022) e José Gregori (1930-2023), ela foi uma das primeiras pessoas a recorrer a argumentos jurídicos para fortalecer demandas indígenas.
Os casos que envolviam indígenas, porém, ocupavam só parte de seu tempo como advogada, já que ela precisava pegar outros casos para sustentar a família, diz Mindlin.
Segundo a antropóloga, Eunice "era muito discreta" sobre sua vida pessoal e "aguentou muitas dores sozinha", mas era inegável a conexão entre suas ações em prol dos indígenas e a luta pela memória do marido.
"Ela viu que os indígenas estavam ainda mais desprotegidos que os políticos que tentaram transformar o Brasil em um país diferente, como o Rubens Paiva", diz.
O povo zoró hojeDepois da expulsão dos invasores e da demarcação do território, a população zoró voltou a crescer.
Hoje, segundo Lígia Neiva, da Funai, eles somam cerca de mil pessoas e habitam um território de 358 mil hectares - uma área três vezes maior do que o município do Rio de Janeiro.
"Estão muito bem de saúde, e não se veem mais situações de doenças alarmantes", diz Neiva.
"Eles têm uma fábrica de castanha dentro da terra indígena e são referência nessa atividade."
Não que os problemas tenham desaparecido: segundo ela, o território voltou a ser alvo de madeireiros e garimpeiros nos últimos anos, o que tem preocupado os indígenas.
Mas, hoje, o grupo encara esse cenário em situação bem mais confortável do que nos anos 1980.
Neiva conta que hoje a imensa maioria da população zoró vive dentro da Terra Indígena.
"É um povo que superou muitos desafios e é muito forte, estratégico, diplomático, com uma cultura viva."
Segundo ela, mulheres, crianças e idosos só falam a língua zoró, e desde 1992, uma escola construída com apoio do governo norueguês permite que jovens cumpram todo o ciclo educacional dentro do território.
Por tudo isso, diz Neiva, poucos membros do grupo estão a par da repercussão de Ainda Estou Aqui e do interesse em torno de sua protagonista.
Em parte graças a Eunice Paiva, quase nenhum zoró hoje sabe quem foi Eunice Paiva.
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